28.2.07
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Marinha, Escotismo do Mar e o Brasil
January 30th, 2006 <!–Mauro Lages–>
O Escotismo do Mar, é uma pratica muito arraigada no Brasil, quem realmente conhece a história do escotismo brasileiro não tem como desassociar a imagem dos Escoteiros do Mar do escotismo nacional.
Muitos dos baluartes dirigentes nacionais saíram da extinta Federação Brasileira de Escoteiros do Mar e esta era a mais numerosa e de maior património das associações escoteiras que existiram antes da junção que se deu a UEB. Todo este “poder” que possuía a Modalidade do Mar no cenário nacional antigo se devia, obviamente, aos homens de altos cargos da Marinha do Brasil que patrocinavam, estimulavam e dirigiam a pratica escoteira.
Que se lembre que foi a Marinha do Brasil que trouxe o escotismo para o território brasileiro em 1910, especificamente na cidade que era o centro naval e centro do país, o Rio de Janeiro. Que se lembre que muitos dos grupos escoteiros dos primeiros 50 anos passados desde a chegada, eram iniciados pela Marinha. Que se lembre que a Marinha do Brasil sempre teve o escotismo institucionalizado com uma das suas praticas sociais.
À Marinha coube a proteção da costa brasileira, seus rios e a organização das colónias de pescadores, que em sua maioria eram descendentes de portugueses e índios e que viviam em pleno isolamento do mundo e em muitas situações precárias . No final da década de 10, um grupo de homens de alto comando da Marinha, percorreram a costa brasileira de norte a sul, e de sul a norte, foram organizando, construindo escolas e abrindo grupos escoteiros da modalidade do Mar nestas colónias de pesca, assim, davam a educação aos analfabetos e um instrumento de formação para os jovens que viviam naquelas regiões.
Este projeto da Marinha, desencadeou em 1921 na fundação, por estes homens idealistas de expressão nacional, da Federação Brasileira de Escoteiros do Mar. Decidiram estes que não existia motivo para que os grupos que estavam situados nos ambientes aquáticos, praticavam atividades naqueles meios, eram sustentados pela Marinha e viviam aquela cultura do “homem do mar” de continuarem usando uniformes de escoteiros de terra, afinal no resto de todo o mundo já existiam desde 1908 os “Sea Scouts” que usavam seus próprios trajes típicos, alavancando com muito mais força a proposta educacional, fazendo os jovens se sentirem também pela roupa, como os grandes navegadores da história.
Logo, deram início ao projeto de unir todas as milhares de associações existentes em uma só, dando mais força a organização, assim, todo o património da Federação de Mar, passou com o tempo para a UEB, passando a servir a todos os demais escoteiros. A primeira sede da UEB foi no Clube Naval do centro da cidade do Rio de Janeiro, o principal e mais luxuoso do país, só este fator demonstra a importância que davam ao tema.
Outros projetos desencadearam da Federação de Mar, como a escola de Chefes de Mar, para qual era usado um grande navio escola e a adaptação e desenvolvimento do Ramo Pioneiro em terras nacionais.
Assim, como reza a história, a modalidade do Mar viveu tempos dourados, tempos especiais, e muitos jovens foram educados “nas coisas do mar”. À Marinha, ficam todos os louros do escotismo nacional e a grande lembrança que foi a sua força para o crescimento e organização deste, que são os Escoteiros do Mar do Brasil. Ao Brasil, ficam os filhos valentes, os velejadores, os remadores, as pessoas que são capazes de salvar uma vida em mar e também homens e mulheres de caráter que aturam e atuam em vários setores da vida brasileira.
André Torricelli
Artigo escrito em 3 de Dezembro de 2005.
Itajaí, 28/02/2007
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Arnaldo E. de Freitas
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